Progresso

Tradições Resistem a Interferências
  

Por  Taís Aranha

 

Os homens saem à caça munidos de facões, calçando tênis Nike. As mulheres confeccionam cestos de bambu 
assistindo televisão. As crianças se deliciam com refrigerantes e doces industrializados, enquanto entoam cânticos seculares.
Embora repleta de elementos excludentes entre si, é esta a rotina da aldeia guarani Tekoa Nãndeva'e (Boa Vista, em tradução livre) localizada em Ubatuba, no Litoral Norte de São Paulo. Apesar da introdução de elementos da "civilização" - como roupas de griffe, antenas parabólicas, TVs em cores e alimentos industrializados -, a cultura indígena permanece. A começar pela língua guarani, falada entre os 120 membros da comunidade e ensinada na escola da aldeia  junto com o português. 

Foto: Ricardo Mega / Kalix Magazine ©
Depois, pela confecção do artesanato em bambu, ensinamento transmitido de geração para geração, e que atualmente é a principal fonte de renda da aldeia. Os cestos, arcos e flechas são vendidos na beira da estrada que liga Ubatuba (SP) à Parati (RJ).

MÚSICA -  Outra prova de que a cultura indígena está sendo preservada é a música. 
Em fevereiro de 1999, a Boa Vista, junto com outras três aldeias guaranis de 
São Paulo e do Rio de Janeiro, lançaram o CD Ñande Reko Arandu (Memória Viva Guarani), composto de canções infantis indígenas, algumas de temática religiosa.
Para manter a originalidade,  o CD foi gravado por um grupo de 120 coralistas e músicos das aldeias indígenas, em um  estúdio móvel. Todos os instrumentos utilizados também fazem parte da tradição guarani, como chocalho, violão de cinco cordas, rabeca de três cordas e tambor. O sucesso atingido com o CD rendeu aos guaranis apresentações por todo o país - e o reconhecimento internacional. Em julho, parte dos integrantes do grupo participa do Festival d'Eté de Nantes --na França -- , que este ano escolheu como tema Brasil e culturas lusófonas.
A primeira prensagem do CD saiu com 5.000 cópias e esgotou em dezembro de 1999. No início deste ano, outras 5.000 foram colocadas à venda. Uma segunda coletânea já  vem sendo preparada pelas aldeias.
 
  

O CD  Ñande Reko Arandu  custa R$ 20 e pode ser adquirido pelo telefone 0800-126122 (TVCultura). 

 
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Kalix Magazine Maio/ Junho 2000 . Verve Comunicação / 1998-2000©