Regras Preservam Identidade

  Por Taís Aranha

guaranis
Adolescente aprende a escrever na escola da aldeia


 

A regra não é expressa, mas todos sabem: quem deseja se casar com  branco tem de deixar a aldeia. Segundo o cacique Altino dos Santos, 53 anos,  nenhum índio jamais abandonou Boa Vista com esse propósito. 

A preocupação em preservar a cultura guarani está implícita no dia-a-dia da aldeia. 
Nenhum dos índios vai trabalhar na cidade - todos vivem do artesanato em bambu, 
comercializado na beira da estrada, e da venda de palmito aos sábados, na feira de 
Ubatuba. Para comer, "se viram" com o que a mata oferece, como palmito e banana. "O que falta, como o arroz e o feijão, compramos no centro da cidade", diz o cacique. 
Alguns rituais indígenas, como as rezas, também são mantidos: há encontros todas as noites na casa de reza.
O agente da Funai (Fundação Nacional do Índio) que atua em Ubatuba, Marcos Siqueira de Almeida, diz que todo o trabalho realizado com a comunidade vai de encontro ao interesse dos índios. "Não impomos nada; são eles que decidem o que querem e precisam", afirma. Almeida lembra que, quando começou a trabalhar na aldeia, há 12 anos, as coisas eram bem diferentes. "Não havia enfermeira, escola, luz. Os índios não tinham acesso a nada", relata. Hoje, a situação é bem diferente: há no local um posto de saúde, uma escola que oferece merenda, placas solares para a captação de energia elétrica, fossa séptica e um telefone comunitário. 
Graças a essas melhorias, a comunidade conseguiu controlar doenças como gripe e 
verminose e baixar consideravelmente a taxa de mortalidade infantil. Até o alcoolismo, que atingia de 20% a 30% dos adultos da aldeia, hoje não é mais considerado um 
problema.


Taís Aranha é jornalista
 
 

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